Archive for the 'Reflexões cotidianas' Category

NTT Data Autoterminal.

É clicar e viajar.

NTT Data Autoterminal de Carl Burgess

Os espaços de trabalho para designers…

Depois de babar ao ver isso e isso, decidi convocar a todos que cotidianamente visitam o Cotidiano, a mandar fotos dos seu espaço de trabalho.
A inteção aqui não é ficar se aparecendo, muito menos denunciar qualquer tipo de mals tratos aos designers, fiquem tranquilos.

O objetivo é que, ao compartilhar nossos ambientes, possamos nos compadecer de nossos colegas e quem sabe, dar um apoio moral!
Mande sua foto(s) para designcotidiano@gmail.com!

Começo com o meu espaço e semana que vem posto o resultado!

Mandem suas fotos!

Mandem suas fotos para designcotidiano@gmail.com!

Ornitorrinco: você ainda vai ser um

Vou iniciar minha participação neste blog com um viés, digamos, ambiental.

Ornitorrinco

Ornitorrinco

É que esses dias topei com uma notícia sobre o simpático ornitorrinco, aquele animal híbrido que acaba de ser reconhecido pela ciência como ave, réptil e mamífero. Aí, não pude resistir a uma anologia com a condição do profissional de internet mais numeroso na fauna do ecossistema digital: o webdesigner.

Explico: são tantas as competências e habilidades exigidas do pessoal com essa alcunha, que o simpático animalzinho adaptado à vida na água deveria ser adotado como mascote pela comunidade do webdesign, ao menos aqui no Brasil, esse país tão aquático (sic).

Para a maioria dos designers web atuando hoje em nosso mercado, está cada vez mais difícil seguir a recomendação de Luli Radfahrer em seu livro design/web/design: esquecer a programação.

Luli Radfahrer ensinando...

Luli Radfahrer ensinando...

Eu acho que o Luli estava certo, mas no cotidiano da maioria dos mortais, que não trabalham em agências top, as equipes são desfalcadas e não tem chefias que conheçam as  reentrâncias do trabalho de um webdesigner. Nesse contexto toda a bagagem de conhecimentos necessários ao bom planejamento visual, entender o negócio do cliente e vários outros etcéteras não são mais suficientes…

O conhecimento de linguagens de script e programação torna-se cada vez um requisito básico para que o designer web possa defender seu pão em um cenário onde está cada vez mais fácil aos não-designers montarem seus próprios sites.

Além disto, como muitas vezes a parte de conteúdo do site não recebe a devida atenção nos projetos, acaba sobrando para quem vai “fazer” o site estruturar o conteúdo e a navegação, o que pode ser uma árdua tarefa em empresas onde a cultura digital ainda não “pegou”.

O exemplo típico é receber uma coleção de documentos do Word com formatação bizarra e sem nenhuma identidade ou coerência entre si, naquela linha release baba ovo, sem nenhum traço de adaptação para o meio digital. E quando chega a hora de apresentar o projeto com o conteúdo capenga, os olhares se voltam para quem “fez” o site, como sendo o único (ir)responsável.

Neste cenário, o webdesigner metaforicamente se assemelha cada vez mais ao ornitorrinco, fazendo um monte de coisas e precisando se adaptar a um cenário saturado de novas informações:

  • precisa fazer belas e funcionais interfaces;
  • precisa fazer o site rodar com formulários, AJAX e outras mutretas, ficando sempre ligado nas diferentes tecnologias;
  • e, muitas vezes, precisa dar conta de transformar conteúdos mal redigidos e inconsistentes em um site com um mínimo de apelo.

Tudo isto, é claro, sem deixar de ser um designer. É aí que a porca torce o rabo.

Com os WordPress, Joomlas e demais híbridos de gerenciador de blog/CMS ficando cada vez mais fáceis de usar, quem não abrir o olho vai perder espaço para aquele pessoal que recém entrou na faculdade de sistemas, mas sabe adaptar facilzinho um template em CSS para um desses CMS free e entregar um site inteiro funcionando em uma semana.

Há também zilhões de temas na web (que talvez até mesmo você já esteja usando em seu site ou blog), uma tentação a deixar de lado todos os escrúpulos e cair de cabeça na templeitorama digital.

Templaitorama digital

Templeitorama digital

Ah, mas o site feito por um designer com conhecimento de causa é melhor, certo? Com certeza, mas a sua habilidade em convencer as pessoas disto e a sua capacidade de criar algo único e relevante é que vão determinar a pertinência deste argumento e a sua sobrevivência no ecossistema antropofágico do mercado.

Em tempo, senhores clientes: o ornitorrinco, além de botar ovos, produzir leite para os filhotes e ser anfíbio, também possui veneno comparável ao das serpentes.

Vão encarar?

Ética x Mercado em um tabuleiro de Xadrez.

Hoje, como mais um dia cotidiano, estava eu a caminho para a última aula da disciplina de Análise e Expressão Literária do Professor Usabilidoido buscando um tema para mais um post. Passei então, a observar tudo que acontecia ao meu redor.

Ao me concentrar no que eu via, nada me veio a mente, foi então que me lembrei do Ócio Criativo de Domenico Demasi e chutei o balde, deixei a mente lá, jogada no sofá.

Xadrez

Xadrez no centro de Floripa - Foto: uberfotos

Já faz algum tempo que eu não caminhava no centro da cidade, e como designer curioso, fiquei observando uma mesa de xadrez onde rolava um jogo ferrênho entre dois senhores senis. Algumas coisas me chamaram a atenção como a linguagem corporal a cada xeque mate “Há, te peguei seu otário!” e principalmente a maneira como eles jogavam.

Durante o jogo, percebi que dificilmente se ganha de um bom oponente sem perder algumas peças. Bingo, me lembrei do código de ética da ADG e e o desafio de se estabelecer no mercado.

É um fato cotidiano.

Muitos designers desconhecem tal código de ética, e sinceramente, também não é muito comum no meio acadêmico, muito menos questionado, normalmente é mencionado nas disciplinas de Introdução ao Design quando dá tempo. (Aliás, quem me apresentou a ADG, foi um professor publicitário. Engraçado não?)

É impressionante ao ler o Artigo 3 “O Designer Gráfico visará sempre contribuir para o desenvolvimento do país, procurando aperfeiçoar a qualidade das mensagens visuais e do ambiente brasileiro” quando chega no seu email uma oportunidade de emprego onde você como designer gráfico precisa fazer “logozinho“, “marquinha” e “sitezinho” em uma “semaninha“.

…O Designer Gráfico terá sempre em vista a honestidade, a perfeição e o respeito à legislação vigente…” fica interessante quando o diretor de arte decide que a foto do Stock Images pode ser escaneada e utilizada, já que isso aqui é terra de ninguém, e o mais impressionante “…Não solicitar nem submeter propostas contendo condições que constituam desleal competição de preço por serviços profissionais…” quando a internet, o telefone e o alguel já estão atrasados a dois meses, e só restaram dois estagiários na sua empresa.

Mas como ser um designer ético, bem sucedido em um mercado completamente desleal, anti-ético e ignorante? Como ser um bom designer quando o seu chefe, quando te entrevistou só perguntou quantos trabalhos em Corel você já fechou? Como conquistar clientes quando a concorrência não considera impostos e prazos, vendendo templates a “deus dará”?

De quem é a culpa? Minha opinião, é toda nossa. Nós como professores, profissionais e estudantes de design, que viciamos o mercado no “copia e cola”, deixando o pacto silêncioso pela mediocridade usando o subterfúgio da sobrevivência para dormir com a consciência tranquila. “Dane-se o povo, paguei minhas contas e comprei meu iPhone.

Êêê seu Wollner!

Êêê seu Wollner!

Lembro-me bem de atitudes mais radicais como testemunha Alexandre Wollner em um de seus livros, e principalmente o comprometimento com o design em situações fundamentais para o desenvolvimento do país, e ao mesmo tempo, me recordo que em 20 minutos de palestra com o mesmo Alexandre Wollner, 90% do auditório de alunos já havia saído porque ele estava falando de coisas chatas enquanto Ronald Kapaz estava no saguão recebendo uma enxurrada de portifólios e cartões de visita.

O designer brasileiro, seja qual for a habilitação, vive basicamente o mesmo paradigma do xadrez, contra um inimigo forte, não há como ganhar sem perder algumas peças.

“Design é um projeto adequado, não só para o marketing ou a decoração, um projeto adequado para o uso humano, a confissão da necessidade humana” Alexandre Wollner.


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